Goodbye, 2NE1 e a ausência

Há um bom tempo venho pensando num homem de aparência misteriosa, vejo-o de longe no final de um corredor. O homem parece estar de terno, tem um relógio dourado de bolso no qual checa as horas de quando em quando. Paciente, ele espera no fim do tal corredor, que dá saída para um grande e belo jardim.

Um sentimento indescritível me tomou enquanto eu olhava o declive do sol, da tarde, das luzes. Então deixei a noite me engolir. Em seguida, toda a angústia, todo o desespero e todo o pesar nos ombros desapareceram. Somente as lágrimas que escorriam pelo meu rosto eram capazes de me aquecer entre os cortes do retraimento.

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The Cold, Exitmusic

Imaginem isto: vários corredores brancos, alguns vazios apenas com a penumbra de companhia, e o cheiro de alvejante vindo do chão. Em cada canto, uma lixeira. Você senta numa cadeira desconfortável que lhe ofereceram, olha ao redor, mas só consegue fixar o cenário para fora da janela; tudo próximo fica em segundo plano. Um momento como esse é desolador, claustrofóbico e cruel. Ainda assim, você entrelaça os dedos e põe os braços sobre as pernas, entretanto não consegue conceber uma única palavra ou se mover de jeito algum.

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White Horse, Shao Hao e distância

Numa tarde ordinária sinto um calor preencher meu peito, aquela sensação boa quando as pessoas recorrem à definição de “paz de espírito”, bem, comigo é o oposto. Essa sensação distinta sempre fora o prelúdio de algum massacre iminente, nunca sei o que é, mas meu corpo parece tentar me ajudar a vestir algum tipo de armadura para aguentar uma violência da qual não serei capaz de escapar. É inútil pedir por ajuda pois minha voz está fora do alcance dos demais, das outras milhares de vozes que pedem o mesmo. Estamos sozinhos quando não deveríamos e todas a minhas tentativas de contato falharam. Mesmo perdidos nesse vácuo turvo e sem sentido, ainda gritamos para sermos encontrados e compreendidos dado que nós mesmos nos colocamos em tal posição de isolamento inalcançável e impenetrável.

Seguimos então sem rumo até avistar uma muralha de proporções colossais e arquitetura engenhosa, ela fora feita para subir. Na minha solitária escalada começo a questionar se vale tanto a pena chegar ao topo, não existe nenhuma grande fortuna a me esperar ou nenhum prêmio de bravura a ser recebido. Estou cansada enquanto lembro daquela sensação no peito e agora compreendo: “você se preparou para a queda?” – esta é a única voz que ecoa em minha cabeça neste exato momento. Tento racionalizar toda a situação, se é que é possível cogitar razão em tal cenário improvável.

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Star, LOONA

No mês passado, o LOONA fez seu retorno ao cenário do K-Pop lançando o EP [12:00], tendo como carro-chefe a música “Why Not?” (ambos comentados aqui). Normalmente, EPs de grupos de K-Pop costumam ter uma música escolhida como single, que será divulgada por alguns meses até que as/os idols se despeçam para voltar aos estúdios e gravar o próximo lançamento, enquanto as demais músicas são usadas apenas para preencher o álbum. Bem, desta vez, não foi o caso.

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Ilusão (Cracolândia), MC Hariel e vivência

Com batidas de Funk e música eletrônica, alinhadas a excelentes arranjos de instrumentos de cordas, “Ilusão (Cracolândia)” chegou na sexta-feira passada (13) ao público. O alto desempenho surpreendeu e emocionou milhões de ouvintes, enquanto seguem aplaudindo a iniciativa criada por Alok, MC Hariel, MC Davi, MC Ryan SP, Salvador da Rima e Djay W.

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Red Moon Rising, Hippie Sabotage

Mais uma noite adentro e vejo em minhas recomendações um título difícil de ignorar, “Devil Eyes” era o nome da música. Creio que a maioria dos milhões de ouvintes fora atraída assim, pelo franzir da testa seguido de um olhar curioso, e então temos nosso primeiro contato com Hippie Sabotage, uma dupla de música eletrônica norte-americana, composta pelos irmãos Kevin e Jeff Saurer.

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Gigaton, Pearl Jam

Hoje a manhã surgiu rosada pela janela, um tanto incomum aos habituais raios de sol alaranjados depois de tantas madrugadas. Quando criança, imaginava um castelo sobre as nuvens, até planejei pegar um de seus tijolos assim que eu tivesse a oportunidade de viajar num avião. É de se pensar. Pois, com o passar dos anos, a água em seu estado gasoso dissipara a imaginação duma criança para uma realidade acinzentada e concreta.

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[12:00], Why Not?; LOONA

Depois de dois textões especulando como poderia (e deveria) ser o comeback do LOONA, eis que o EP [12:00] já está entre nós, bem como o single e videoclipe “Why Not?”. Será que foi bom? Será que foi ruim? Bom, as minhas impressões podem ser lidas mais abaixo, mas antes, que tal ver o clipe e tirar suas próprias conclusões?

Depois que fiz os textões sobre possibilidades tanto para o andamento da trama do loonaverso como para o som que o grupo traria dessa vez, ainda tivemos mais motivos para incertezas, com a BBC divulgando ensaios fotográficos com conceitos bem diferentes. Isso, aliado ao fato dos produtores de “I Got A Boy” do Girls’ Generation estarem por trás de “Why Not?”, trazia o temor (ou a esperança, dependendo do seu gosto) de vir uma daquelas músicas que mudam radicalmente de estilo de um momento para outro.

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THE ALBUM, Lovesick Girls; BLACKPINK

Eu sei, demorei, mas cá estou para entregar-lhes os quatro parágrafos mais relevantes dentre todas protocríticas até então. Pois bem, BLACKPINK retornou na última sexta (02/10) com seu tão aguardado primeiro disco de estúdio, intitulado “THE ALBUM”. De acordo com algumas pessoas que estão presas no espaço-tempo da década de 2010 no K-Pop, “THE ALBUM” seria análogo ao período da nossa ditadura militar, ou seja, uma época de tamanha benevolência e pureza da história recente dum belo país tropical no qual atingimos o nirvana da felicidade plena. Após tal paradisíaco período, nós caímos em profunda desgraça degenerada causada pelas famigeradas “classes de baixo”. Em suma: para o grupo de pessoas já citadas acima, antigamente era melhor.

A boa notícia é que estamos em 2020 e muita coisa evoluiu de lá para cá, de fato ainda não estamos nos locomovendo em carros voadores, mas BLACKPINK veio nos brindar com a boa nova. Agora seguem os parágrafos para o grupo de pessoas que conseguiu seguir em frente com a vida: são oito faixas com saldo bastante positivo, algumas com muitos acertos; outras, nem tanto. Erros? Nenhum.

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