Art Gang Money, Swervy

Não sei se é grande surpresa, mas gosto bastante de Rap e Hip Hop. Porém ter encontrado Swervy foi um momento de grande revelação sagrada. Ora, em tempos de autenticidade artística pré-fabricada, tenho o dever de me atirar ao chão árido e estender as mãos para cima em agradecimento pela limpeza auditiva.

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Tinta branca [GORE.0.1]

Eu não sei quantas horas se passaram, estive trancado numa jaula. Daquelas jaulas modernas onde habitam fluxos incontáveis de ideias. Nem sei como vim parar aqui, apenas lembro-me de um constante ruído; em seguida, havia marcas de cortes por todo meu corpo. Meus braços doem. Enquanto minha mente tenta compreender o que ocorre ao redor, ouço gritos vindos de longe. Parece um corredor, e um quarto no qual alguém bate virulentamente contra a parede junto à minha. Não há palavras, somente bramidos. Já entendi: é puro ódio e zoada. Agora todos os outros âmbitos ecoam o mesmo.

Neste emaranhado de frequências algo em particular é audível. Uma voz, chamado, mensagem divina – chame do que quiser – diz: “manchas vermelhas”. Venho tentando decifrar essas duas palavras desde então, mas o barulho aumenta novamente. Desisto. Me junto ao coro ensandecido, pulo contra as paredes, sinto minha garganta doer até experimentar um fluido escorrer entre meus dentes, passar pela boca e descer até o queixo. Não sei o que é, não consigo enxergar. Tenho a sensação de estar numa câmara de tortura, mas você pode ver melhor, você aí fora tem a melhor clareza neste momento.

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365, LOONA

LOONA retornou nesta sexta-feira 13 com o single intitulado “365”, que de acordo com a conta oficial do grupo significa, nas entrelinhas, “como a lua que brilha 365 dias”. Deixando o ano bissexto e o eclipse lunar de lado, abre-se espaço para a licença poética numa profusão de teorias enquanto o onírico ressonante toca os ouvidos.

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Purpose, Taeyeon

Taeyeon retornou recentemente com seu novo álbum de estúdio, “Purpose“, e de acordo com sua gravadora, a SM Entertainment, o título “Purpose” significa que ele levará os objetivos de Taeyeon como pessoa e cantora mostrando como a música se tornou o maior propósito e direção em sua vida. Pois bem, analisemos então!

“Here I Am” abre o disco como uma peça grandiosa, cordas pesadas que remetem a um espetáculo teatral. Nada incomum no repertório de Taeyeon, baladas são seu território, porém aqui já indica uma direção mais amadurecida para as canções seguintes.

“Spark”, faixa título, segue o curso de modo mais acelerado. Com influências do R&B tradicional flertando o contemporâneo, o ponto alto definitivamente é o refrão acompanhado pelos vocais de apoio evocando a música Soul. Um brilho à parte, com certeza.

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Fear Inoculum, TOOL e espiritualidade

Depois de 13 anos, TOOL finalmente retorna com “Fear Inoculum”, seu quinto álbum de estúdio. Embora o disco traga uma boa variedade de temas pertinentes, não há como ignorar a faixa título seguida de “Pneuma”, ambas canções carregadas de espiritualidade.

Quando decidi dissertar sobre, acabei indo para meu quarto, apaguei a luz, coloquei os fones nos ouvidos e dei início à escuta. Acabei adormecendo pela quarta faixa, lembro-me de abrir os olhos algumas vezes e pensar vagamente que eu não queria sair dali. Mais tarde, terminei de ouvir o restante das músicas e depois não parava de repetir “7empest” por alguns dias. Mas o curioso era que “Fear Inoculum” não cessava de ecoar em minha cabeça, muito menos “Pneuma” e, essa última, recorria a algo não muito claro no momento, porém agora tenho certeza: Alice In Chains.

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Light/Shadow of the Fearless, Hybrid

Um dia tudo passa. Pode demorar pouco, muito, mais ou menos. Mas eventualmente tudo passa. Quando me lembro das pessoas que conheci ao longo desses anos irregulares, sempre penso estarem felizes; passaram. De muitos não recordo mais os nomes, apenas traços e algumas cores, como num sonho. Creio que deitei para cochilar e acordei sem lembrar das particularidades, dos detalhes. Um dia eu estava arrumando a bagagem, dobrava roupas, escolhia objetos – hoje a mala nem serve mais; molhou, secou, estragou. As paisagens nunca desapareceram, deve-se carregar mais histórias que peso, porém às vezes é difícil entender o fardo e a consciência.

Datas se misturam e o peso nos olhos me faz debruçar na mesa e o relógio para. Ouço um carro passar longe, logo lembro novamente que tudo passa. Cruzo as pernas, ponho os braços já cruzados sobre elas, dedos entrelaçados. Silêncio. Há muito havia alguém comigo numa praça – hoje, minhas mãos nada seguram. Bancos, estátuas, árvores, outras mãos e risos passaram. Uma outra vez havia música, tocava pelo Antigo da cidade e ecoava pelas paredes dos vários bares. Era sempre tarde da noite, a madrugada passava entre luzes e sombras. E como todas as coisas precisam de equilíbrio, agora abri a porta para a luz adentrar o vão que o amargo das palavras deixou.

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