Starlight, Muse e dispersão

Eu não sinto vontade de escrever hoje. Na verdade, faz algumas semanas que me encontro naquele famigerado espaço branco chamado “bloqueio criativo”. Não se trata de falta de interesse, muito menos algo que indique a vertigem do ímpeto sobre comentar o que se gosta. Criam-se parágrafos, esboços, um ponto de partida e nada se desenvolve. Você busca pelo termo e encontra dicas e listas de como lidar ao notar das palavras que se esvaem, mas as soluções já são de conhecimento prévio, não há uma fórmula ou padrão de escrita para a fluidez.

Nesse tempo me foram indicadas boas músicas, enquanto minha atenção seguia à deriva. Finalmente um ponto de partida: a falta de foco. Neste caso, gosto de fazer um exercício no qual chamo de repetição e adaptação; se há um declínio, então posteriormente haverá uma curva suave que amortecerá a queda, mesmo sem a existência da curva. Anteontem senti uma vontade desesperadora de chorar, lembrei que em outros dias antes havia sentido a falta disso. Ou seja, as lágrimas vieram quando eu não as queria mais.

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O Romance

Dia desses sonhei com Danusa, nunca pude ver seu rosto com clareza – dentro de um carro abarrotado de caixas que tampavam a visão do painel, e luz forte vindo de fora causando suor nas pálpebras. Via-se nada, ouvi sua voz. De repente abriu a planície extensa e céu aberto – ela estava numa motocicleta sem portas ou teto que a cobrisse, e respondendo à minha pergunta disse que não voltaria. Mostrei-me consternada e solitária – havia nada nas caixas, havia nada no carro, Danusa então deixou para mim a decisão: o petardo no peito ou seguir pelo terreno esverdeado.

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Nina Cried Power, Hozier

Andrew Hozier-Byrne está no seu melhor quando lida com emoções exageradas, cingindo seu coração naquela voz séria, sempre levemente desgastada, enquanto sua música promete mover montanhas. Essa foi a fórmula que fez “Take Me to Church”, uma canção inspiradora sobre perder sua religião e encontrar a si mesmo, a música mais tocada de 2014 e aquela que coloca o vento sob a faixa título de seu novo EP, “Nina Cried Power”, lançado pela Island e produzido por seu colaborador de longa data, Rob Kirwan.

Com quatro anos desde o lançamento do álbum de estreia de Hozier, e apesar de sua base de fãs continuar comprometida, o resto da humanidade não ficou esperando para descobrir o que ele estava fazendo. Houve alguma expectativa em torno de seu retorno, mas nada para perturbar as massas. Descrita pelo artista de Wicklow como sua homenagem à música de protesto da era dos direitos civis norte-americanos, a faixa título é um grande esforço que ajuda a descobrir temas amplos de protesto e libertação. Nomes como John Lennon, James Brown, Joni Mitchell e, conforme o título, Nina Simone estão entre os destacados.

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Lil’ Touch, Girls’ Generation-Oh!GG

Girls’ Generation é um dos poucos casos que a marca possui alto valor mesmo depois de onze anos. Com uma base de fãs enorme, construída ao longo desses anos, a saída da integrante Jessica Jung em 2014 se tornou assunto recorrente aos SONEs, nome dado aos fãs do grupo. Girls’ Generation tem um enorme legado, que vai de figura representativa da cultura sul-coreana a grupo feminino mais influente por vários anos consecutivos. Percebendo esse valor de marca, a SM Entertainment decidiu criar a subunidade chamada Girls’ Generation-Oh!GG, que consiste em Taeyeon, Sunny, Hyoyeon, Yoona e Yuri.

Com o contrato encerrado das outras três integrantes no final de 2017, Tiffany, Sooyoung e Seohyun, era esperado que a subunidade contasse com as cinco remanescentes na empresa. Não apenas para valorizar o nome Girls’ Generation, mas também por constatar que, atualmente, elas ainda são o único grupo da SM Entertainment que tem grande alcance dentro e fora da Coreia do Sul. É realmente de se admirar ver um grupo feminino, que estreou em 2007, ter toda essa longevidade na indústria do K-Pop. Após especulações, “Lil’ Touch”, single lançado no dia 5 de setembro de 2018, veio para confirmar a estratégia e, claro, agraciar os fãs.

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Young, Baekhyun X Loco

Conheço pessoas que vivem numa espécie de pequeno relicário. Andam em círculos, desenham círculos, baixam a cabeça e concordam entre si. Parece uma visão bastante negativa que tenho, mas deixem-me colocar de outro modo. Existem esferas sociais de variados tamanhos, e um exemplo mais positivo seria a esfera descontraída que olha pelo prisma da concordância entre piadas e brincadeiras, conversam sobre os mesmos assuntos, fortalecem opiniões prévias expressadas por seus pares. Esses pequenos grupos ganham pluralidade pela identificação, igualmente aos que se unem pela obediência. É muito comum a quem diverge, de alguma maneira, ser isolado.

Há regras para se conviver em sociedade e quando colocamos uma lupa por cima de um grupelho, essas regras são mais severas, dada à proximidade de cada indivíduo que, ironicamente, deixou de ser indivíduo para o suposto bem coletivo. Carregamos conosco grande complexidade e identidade únicas, porém, como bons seres sociais que somos, tendemos a apagar traços e particularidades por um tipo de aceitação, seja qual for e seja onde for. O maior problema das “bolhas” é justamente a rejeição, tornou-se um trauma de frustração indecorosa o que difere alguém de outrem. “Young” retrata um pouco disso.

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Particula, Major Lazer & DJ Maphorisa

Enfrentamos o desafio de criar uma musicologia sul-africana única e temos a oportunidade, que outras nações podem invejar, de construir nossos próprios monumentos neste “último paraíso” (Malan, 1983).

Para qualquer etnomusicologista interessado na música das favelas, ruas, portos e minas da África, a África do Sul constitui uma espécie de Eldorado (Erlmann, 1991).

As citações acima falam de duas dessas perspectivas: no caso do musicólogo africânder Jacques Malan, escrevendo no final da década de 1970 e início de 1980, a África do Sul era um paraíso, uma tábula rasa à espera das possibilidades de um novo tipo de inscrição crítica (branca). Para o etnomusicólogo nascido na Alemanha, Veit Erlmann, dez anos depois o país era algo como um “Eldorado”, desde que alguém estivesse preparado para explorar os atalhos dos pobres (negros) da classe trabalhadora. Contudo diferente, cada ponto de vista é ressaltado por uma noção sedutora de paraíso, uma noção que não vem da linguagem da musicologia ou da etnomusicologia, mas do mundo da ficção (Christine Lucia, 2005).

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BTS retorna com “IDOL” e participação com Nicki Minaj

BTS está de volta com seu novo single, “IDOL”, que acompanha o álbum de compilação “Love Yourself: Answer” incluindo sete músicas inéditas. Encerrando assim a série “Love Yourself”, composta pelo EP e álbum “Love Yourself: Her” e “Love Yourself: Tear”, respectivamente. Além da campanha em parceria com o Comitê da Coreia do Sul e do Japão para a UNICEF, nomeada “Love Myself” e que visa a proteção dos jovens contra a violência, o grupo também iniciará uma turnê mundial depois dos shows marcados para os dias 25 e 26 de agosto no Estádio Olímpico de Jamsil, em Seoul. Em seguida, apresentando-se em países da Europa e Estados Unidos.

A faixa título “IDOL” contém uma versão alternativa que conta com a participação da rapper norte-americana Nicki Minaj, que atualmente anda em controvérsias por apoiar o também rapper 6ix9ine, condenado em 2015 por má conduta sexual envolvendo uma menina de 13 anos. Apesar do momento ser infeliz, é pouco provável que a imagem do BTS seja arranhada ou prejudicada, uma vez que a própria Nicki Minaj consegue manter forte engajamento com seu público. Tanto que, após horas do lançamento, “Love Yourself: Answer” emplacou 12 músicas no topo do iTunes nos E.U.A e o grupo fora convidado para evento do Museu do Grammy.

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