30 anos de Akira e conflitos de culturas

Em 1993, o crítico japonês Ueno Toshiya fez uma visita à cidade de Sarajevo na Sérvia devastada pela guerra. Vagando pela cidade bombardeada, ele encontrou uma visão inesperada. No meio da cidade velha havia uma parede desmoronando com três painéis. No primeiro foi tirada uma foto de Mao Zedong com orelhas de Mickey Mouse; o segundo tinha um slogan para o grupo de libertação de Chippas, os zapatistas, estampados nele. Mas quando ele chegou ao terceiro, ele estava “sem palavras”. Incrivelmente, foi um grande painel de uma cena do Akira de Katsuhiro Ôtomo. Contra as paredes desmoronadas do grupo de edifícios em colapso que o “poderoso delinquente juvenil” Kaneda estava dizendo, “Então começou!”

O parágrafo acima é tão simbólico quanto o impacto do filme de animação japonesa Akira não só para a cultura do país nipônico, mas também como definiria posteriormente o gênero de ficção científica ao redor do mundo. Como estamos na semana de comemoração de 30 anos do lançamento de Akira (1988), é importante salientar que na época a animação era geralmente considerada uma arte menor, algo para crianças, ou, talvez, o ocasional filme abstrato de arte – a animação do Japão era marginalizada ainda mais. Aos olhos do ocidente, a ideia de animações sofisticadas com estórias complexas era tida com desdém, e o painel que fora desenhado num muro de Sarajevo como ícone de resistência política agora toma traços mais fortes do que seria um abismo entre diferentes culturas.

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Hybrid finalmente retorna à cena com “Light Up”

Após um longo intervalo, Hybrid retorna com seu mais novo single intitulado “Light Up”. Desde seu último álbum regular, “Disappear Here” (2010), o agora duo britânico compreendendo Mike e Charlotte Truman passaram os últimos oito anos imersos em produção e composição para trilhas de diversos filmes. Hybrid segue com sua identidade sonora em “Light Up”, lançado oficialmente neste 13 de julho, e com remixes adicionais para a faixa.

Abrindo este single de cinco faixas com a poderosa e ativa edição de vídeo da versão do álbum, que é uma versão ligeiramente condensada e mais difícil, atingindo o máximo de impacto. Em seguida, a versão do álbum, que realmente começa no meio do caminho quando o Drum and Bass faz sua aparição. Como frequentemente acontece com Hybrid, as coisas tendem a tomar uma atmosfera cinemática e intensa. Mais ainda, contando agora com o toque da Orquestra Filarmônica de Praga que ajudou a embalar novas dimensões sônicas.

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Conhecendo mais sobre K-Pop com o grupo Red Velvet

Red Velvet é um grupo de K-Pop que teve sua estreia oficial no ano de 2014. O grupo havia lançado dois singles digitais, “Be Natural” e “Happiness”, o que não é muito usual para grupos no K-Pop já que a “norma” seria o grupo acompanhado por ao menos um EP. Também incomum a adição de uma quinta integrante (Yeri) no ano de 2015, uma vez que a apresentação do até então quarteto (Irene, Seulgi, Wendy e Joy) fora feita para o público sul-coreano previamente. Com esses precedentes, houve certo estranhamento inicial, pois linearidade e consistência são ingredientes essenciais para o sucesso de qualquer grupo inserido nessa indústria.

A reação refletiu entre fãs ocidentais, que até hoje ainda questionam a alteração na formação do grupo. Mas nada que a SM Entertainment não pudesse contornar, pois, além de ser responsável pela criação do Red Velvet, é uma das três maiores empresas de música e entretenimento na Coreia do Sul ao lado da JYP Entertainment e YG Entertainment. Estas empresas dominam com excelência a “arte” de revitalizar e promover a imagem de seus respectivos artistas por várias mídias de comunicação, tal como promovê-los em outras áreas fora da música (atuação, comerciais, programas de variedades e etc.). Bem, após este breve contexto, selecionei cinco músicas do Red Velvet para apresentar o grupo a possíveis novos ouvintes. Em ordem cronológica, vamos lá!

1 – Ice Cream Cake

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Ouvir K-Pop na Copa faz bem, dizem estudos

Após um final de semana interminável tanto quanto as partidas decididas nas prorrogações deste último domingo, aproxima-se o grande confronto entre Brasil e México do qual provavelmente não conseguirei assistir, mas estando em minhas plenas capacidades cognitivas, já adianto de pronto alternativas confiáveis e pragmáticas para a sobrevivência (ou não) dos habitantes desta nação de proporções continentais. Em claro e bom tupiniquim, o povo brasileiro. Numa transcrição lusitana, estou a falar de Pau-brasil.

Ao divagar da magnitude desta incrível prosopopeia, terras estremecidas pelo calor dos ecos e mares em fúria que partem as ondas, eis o povo. Essa massa que entra numa centrífuga de sentimentos coléricos, bate forte nas paredes do som, acorda e toma vida a cada quatro anos. Pois se existe uma coisa que a natureza nos brindou em tamanha maestria, esta coisa chama-se caos. Nem todo o pão feito pelos meios de produção calaria este circo projetado com arquitetura colossal, faz-se legítima, então, a massa raivosa.

“Shoot Me”, excelente faixa da banda de Rock Day6

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The Story of Light, SHINee

O grupo SHINee completa seus dez anos de carreira lançando o EP intitulado “The Story of Light”, na verdade o terceiro Extended Play que fecha a trinca que, somada aos dois anteriores, complementa o então álbum homônimo. “Our Page”, derradeira música para o ciclo promocional deste novo álbum, mostra um belo e tocante comprometimento pessoal. A letra fora escrita pelos integrantes e junto com ela vem a homenagem clara e honesta a seu amigo e colega de grupo, Jonghyun, que tragicamente faleceu em dezembro de 2017.

Eu não pretendia comentar os novos lançamentos do SHINee dadas as circunstâncias, uma decisão pessoal que tomei, na verdade, só que “Our Page” me pegou em tantos aspectos que se tornou inevitável. Então, utilizarei algumas liberdades para discorrer por um ângulo diferente, tal como fiz no título desta publicação. Sendo assim, por mais histórias com luzes, “Our Page”:

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Cota Não é Esmola, Bia Ferreira

Não, não é A verdade. Mas sua mensagem. Bia Ferreira passou há pouco pelo lado de minha desatenção, sua musicalidade transmutada em consciência faz vibrar as cordas do violão, depois na audição ecoar. Quem é esta mulher que ouvi uns minutos atrás? Compositora, com potente trabalho autoral, brasileira sem clichê, moderna sem forçar a barra, batuqueira natural, de musicalidade profunda, suavidade jazzística, e devota suprema do balanço. Bia Ferreira é artista do ghetto e sua voz é dissonante e ativista.

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Divulgação: Bishop Briggs

Lá pelo final de 2017 me marcaram numa postagem de Facebook sobre um desses estúdios de dança que, por sua vez, têm o costume de gravar seus respectivos dançarinos apresentando uma coreografia para determinada música. Quem o fez sabia que era uma das poucas coisas que me fariam interagir, seria a combinação com música e asiáticos, uma vez que eu estava dedicando mais do meu tempo explorando a cena do K-Pop. Era um recorte de duas crianças com descendência asiática dançando a um som que despertou minha curiosidade.

Lembro-me de ter olhado os comentários no vídeo recortado, tentando encontrar nome da artista e música, sem muita sorte, porém, ao digitar apenas “like a river” na barra de pesquisa foi o suficiente. Assim descobri Bishop Briggs, bem como muitos outros vídeos de coreografia para sua faixa “River”. Guardei o videoclipe em meu histórico do YouTube para garantir que não iria esquecer de conferir mais material da mesma posteriormente. Felizmente o tardio ultrapassou o jamais e aqui me encontro.

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