Black Halo, Hybrid

Hybrid lançou recentemente seu sexto álbum de estúdio, “Black Halo”, e como você pode esperar de uma das maiores referências da Bass music, é sombrio, emotivo e tecnologicamente elegante. Em grande parte escrito durante a turbulência de 2020, o álbum celebra a perseverança e o triunfo do espírito humano. Não importa o que a vida nos lance, nós prosperamos e sobrevivemos.

“Black Halo” alcança os pontos doces entre os contrastes mais uma vez. Em algum lugar entre orgânico e eletrônico, fé e escapismo, cordas e sintetizadores, bateria e baixo, medo e esperança. É um lugar onde Hybrid pode contar suas histórias mais ousadas até agora. Como aponta a narração de “Flashpoint”, música que abre o disco para uma grande jornada à frente:

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Paint The Town, LOONA

LOONA retornou nesta segunda-feira com “Paint The Town” e, certamente, foi uma ótima surpresa. Como eu estou atarefada nesses tempos e tentando tocar um projeto pessoal, serei breve e usarei o texto do anúncio oficial sobre a faixa e sua ideia por trás.

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Pixy e crítica à crítica

Sabe o que eu detesto atualmente? Eurocentrismo. Sim, aquela noção arcaica de que a música de verdade consiste apenas nas obras de grandes compositores europeus. Aquela pompa de música clássica e orquestras executando as peças mais complexas que se possa imaginar. Obviamente muitos já questionaram a completa ausência dos outros continentes quando se estuda música erudita, engraçado, não é? Por algum motivo escuso (eugenia) e muitos saqueamentos ao longo de umas centenas de anos, o que era nosso deixou de ser. Ora, música é identidade e nossa identidade passou a valer menos. Tenham isso em mente.

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She Couldn’t, Linkin Park e a vida

Tudo bem, vou respirar fundo, relaxar os ombros e olhar para cima enquanto tudo desmorona. Ninguém acima está vindo me salvar, pois não há alguém. Nunca houve. O que resta é afundar nessa areia movediça, deixar a sombra tomar o controle. Está tudo bem. Saio de casa, ponho um sorriso largo no rosto e finjo que o chão abaixo de meus pés não está tremendo.

É apenas a vida, a besta indomável de todas as circunstâncias. E eu posso sentir o medo. Eu posso sentir o medo abrir como uma janela. De todos os caminhos que tracei e percorri, acabei escolhendo a estrada mais escura. Escolhi esta estrada por querer tocar no tom mais escuro da escuridão, então o fiz. Não sei se era paz ou abismo, mas havia um sagrado e profundo silêncio.

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Goodbye, 2NE1 e a ausência

Há um bom tempo venho pensando num homem de aparência misteriosa, vejo-o de longe no final de um corredor. O homem parece estar de terno, tem um relógio dourado de bolso no qual checa as horas de quando em quando. Paciente, ele espera no fim do tal corredor, que dá saída para um grande e belo jardim.

Um sentimento indescritível me tomou enquanto eu olhava o declive do sol, da tarde, das luzes. Então deixei a noite me engolir. Em seguida, toda a angústia, todo o desespero e todo o pesar nos ombros desapareceram. Somente as lágrimas que escorriam pelo meu rosto eram capazes de me aquecer entre os cortes do retraimento.

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The Cold, Exitmusic

Imaginem isto: vários corredores brancos, alguns vazios apenas com a penumbra de companhia, e o cheiro de alvejante vindo do chão. Em cada canto, uma lixeira. Você senta numa cadeira desconfortável que lhe ofereceram, olha ao redor, mas só consegue fixar o cenário para fora da janela; tudo próximo fica em segundo plano. Um momento como esse é desolador, claustrofóbico e cruel. Ainda assim, você entrelaça os dedos e põe os braços sobre as pernas, entretanto não consegue conceber uma única palavra ou se mover de jeito algum.

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White Horse, Shao Hao e distância

Numa tarde ordinária sinto um calor preencher meu peito, aquela sensação boa quando as pessoas recorrem à definição de “paz de espírito”, bem, comigo é o oposto. Essa sensação distinta sempre fora o prelúdio de algum massacre iminente, nunca sei o que é, mas meu corpo parece tentar me ajudar a vestir algum tipo de armadura para aguentar uma violência da qual não serei capaz de escapar. É inútil pedir por ajuda pois minha voz está fora do alcance dos demais, das outras milhares de vozes que pedem o mesmo. Estamos sozinhos quando não deveríamos e todas a minhas tentativas de contato falharam. Mesmo perdidos nesse vácuo turvo e sem sentido, ainda gritamos para sermos encontrados e compreendidos dado que nós mesmos nos colocamos em tal posição de isolamento inalcançável e impenetrável.

Seguimos então sem rumo até avistar uma muralha de proporções colossais e arquitetura engenhosa, ela fora feita para subir. Na minha solitária escalada começo a questionar se vale tanto a pena chegar ao topo, não existe nenhuma grande fortuna a me esperar ou nenhum prêmio de bravura a ser recebido. Estou cansada enquanto lembro daquela sensação no peito e agora compreendo: “você se preparou para a queda?” – esta é a única voz que ecoa em minha cabeça neste exato momento. Tento racionalizar toda a situação, se é que é possível cogitar razão em tal cenário improvável.

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Star, LOONA

No mês passado, o LOONA fez seu retorno ao cenário do K-Pop lançando o EP [12:00], tendo como carro-chefe a música “Why Not?” (ambos comentados aqui). Normalmente, EPs de grupos de K-Pop costumam ter uma música escolhida como single, que será divulgada por alguns meses até que as/os idols se despeçam para voltar aos estúdios e gravar o próximo lançamento, enquanto as demais músicas são usadas apenas para preencher o álbum. Bem, desta vez, não foi o caso.

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Ilusão (Cracolândia), MC Hariel e vivência

Com batidas de Funk e música eletrônica, alinhadas a excelentes arranjos de instrumentos de cordas, “Ilusão (Cracolândia)” chegou na sexta-feira passada (13) ao público. O alto desempenho surpreendeu e emocionou milhões de ouvintes, enquanto seguem aplaudindo a iniciativa criada por Alok, MC Hariel, MC Davi, MC Ryan SP, Salvador da Rima e Djay W.

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