BTS, Utada e mediações culturais: como uma mesma obra pode causar diferentes impactos

*Jimin: Hey, Brave Sound, drop it!*

Saudações, blogosfera! Alguns de vocês já devem ter visto comentários meus por este e outros blogs de música asiática, geralmente deixando comentários inúteis ou panfletando o LOONA. Ou as duas coisas.

Escrever comentários para artigos é bem mais fácil e mais rápido do que escrever um artigo propriamente dito – quanto mais um blog cheio de vários artigos, por isso, não esperem ver um blog meu tão cedo. Mas recentemente, recebi um convite da Carla para escrever um texto sobre a música e o vídeo de On, lançamento mais recente do BTS (a menos que eles já tenham lançado outro single – o que seria bem comum no caso do TWICE alguns anos atrás).

Embora eu tenha muita preguiça de boygroups capopeiros, ela comentou que tinha sentido um impacto forte com a letra e a melodia, e fiquei curioso. Assim, a própria Carla acabou fazendo o artigo sobre “On”. Desculpe, Carla!

“Então, todo o contato de vocês e a sugestão do assunto não adiantaram nada, certo?” Bom, não exatamente. Vejam, isso serviu como ponto de partida para outro artigo, que ainda envolve o BTS. Só que desta vez, não só o BTS. Mas ele será um ótimo ponto de partida.

Como disse antes, eu ouvi “On”, assisti ao videoclipe de “On”, li “On”; e o que achei de “On”? Achei a música um pouco irregular (especialmente o break antes do final), mas com um refrão forte, achei o vídeo muito bonito com o que parecem ser várias referências bíblicas (a algema de espinhos referenciando a coroa de espinhos, a abertura do muro referenciando a abertura do Mar Vermelho, a subida ao monte, os animais perto dos destroços de uma arca) reforçando a mensagem inspiradora da letra em busca de liberdade (não só de um cativeiro, mas também uma forma de se expressar, ser quem você é).

Mas, apesar desses méritos, confesso que “On” não me cativou como fez com a dona deste espaço que empresto aqui. Será que eu não dediquei atenção especial a todo o conteúdo? Será que ela viu e ouviu algo especial que esse trabalho não teria realmente? Quem está certo?

Passei algum tempo pensando sobre isso, e finalmente me ocorreu: os dois estão. Vejam, quando fiz Mestrado em Comunicação, tive algum contato com as obras de grandes pensadores dos estudos latino-americanos de Comunicação, e um dos pontos destacados por eles é que toda comunicação passa por mediações, onde a decodificação da mensagem (que sim, pode ser uma música) não depende apenas de quem produz essa mensagem, mas também de quem a recebe – e a forma como essa pessoa recebe a mensagem tem ligações com as mediações culturais às quais ela está sujeita: seu ambiente familiar, suas características como indivíduo (idade, sexo, religião, etnia, etc.) e por aí vai.

Enfim, de alguma forma, as mediações culturais da dona deste blog permitiram a ela perceber algo a mais na mensagem presente na letra, na melodia, nos sons e nas imagens de “On”, o que infelizmente não aconteceu comigo. O que é comum: certamente cada pessoa aqui pode se lembrar de alguma obra que teve um impacto marcante nela, e que não deixou a mesma marca em outros.

O que me leva a Prisoner Of Love, single da cantora japonesa Hikaru Utada lançado em 2008 (sim, já faz tempo). Uma ótima música com melodia forte, com uma letra romântica e um videoclipe mostrando Utada interpretando o processo de composição e produção da música. Longe de ser a música em que as pessoas pensam quando falamos em Utada, como “First Love”, “Automatic” ou “Flavor Of Life”. E, no entanto, a primeira vez que vi o clipe eu chorei, meus pelos se arrepiaram e ainda hoje ela me emociona.

Somente anos depois eu percebi o porquê: embora não me identifique com a letra da música, a força da melodia reforçava o drama do vídeo, mostrando a cantora enfrentando bloqueios criativos, frustração, angústia. Muito do que eu enfrento no meu próprio trabalho enquanto redator. Ao mesmo tempo, o final após a última repetição do refrão, explodindo nos “Stay with me, oh stay with me” enquanto o vídeo mostra Utada concluindo feliz sua composição, traz a catarse que vem depois de todo esse sofrimento; um misto de alívio, satisfação e a superação do obstáculo causador da aflição. Para outras pessoas, “Prisoner Of Love” é uma música bonita, talvez até excelente, com um vídeo inspirando uma mensagem de superação. Para mim, ela é muito mais que isso.

Falem a verdade, vocês não esperavam que fosse possível tirar tantas reflexões partindo de um single do BTS, não é mesmo? E, no entanto, aqui está: parabéns, BTS! É isso, espero que tenham gostado, e muito obrigado à Carla pelo espaço (e desculpas pelo vacilo com o artigo original)! Flwvlw!

11 comentários em “BTS, Utada e mediações culturais: como uma mesma obra pode causar diferentes impactos

      1. Sem dúvidas! Eu desanimei daquela ideia da comparação da indústria de idols com as apresentadoras infantis dos anos 80/90, mas já estou pensando em outras (envolvendo músicas relativamente antigas, se não tiver problema)…

  1. Nem acredito que estou presenciando seu Pré-debut solo Brave 😍😍😍😍 a blogosfera PRECISA de você, mesmo que tenha jogado uma pequena pá de cal na expectativa de criar um blog próprio, espero que você continue sempre ativo conversando, amo ler seus comentários!!!

  2. Sobre o post, verei Prisioner e os Love com outros olhos agora! é uma música que eu pessoalmente amo por conta das memórias afetivas que ela me traz, porque era OST de Last Friends (um dos meus doramas favoritos), mas confesso que nunca dei importância pro clipe, achava “simples” mas agora depois de anos eu percebi a mensagem, acho que em 2008 eu não entendia o peso desses bloqueios, aliás desejo forças aí no seu dia dia e que tudo fique bem 😊

    Sobre ON do BTS, o clipe é muito interessante mesmo, a música sempre tem o dom de tocar pessoas de diferentes formas. Lembro de Spring Day do próprio BTS, que eu pessoalmente acho qualquer coisa mas tem amigos meus que literalmente marejam os olhos toda vez que veem o clipe ouvindo a música, muito incrível esse efeito.

    PS: fica a dica pra assistirem Last Friends

    PS2: Ignore meu nick bugado, pelo celular fica assim e eu não sei como mudar kkk

  3. Meu deus, Brave, que incrível este post, sério ❤ Já venho rodando o blog da Carla aqui porque acho os comentários mega pertinentes e super inspiradores (tipo, pra escrever e tudo mais) e olha… Tô positivamente chocado xD Adorei

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