Pink Fantasy e a torcida pelos underdogs

Saudações! Antes de começar o texto de hoje, já aviso que qualquer semelhança com a análise do Aquário Hipster para o debut das maravilhosas Pocket Girls não é mera coincidência: depois de lê-la, fiquei pensando em todos os grupos nugus que eu gosto de ouvir (#stanLOONA) e constatei que talvez eu escute mais esses grupos do que os consolidados. Por achar as músicas deles melhores? Sim, mas também pelo apelo deles enquanto underdogs.

Bom, como o título já entrega, o grupo escolhido pra esse artigo não é o das rainhas do loonaverso, mas outro que eu venho panfletando descaradamente nos comentários pela blogosfera: pode entrar, Pink Fantasy!

(e sim, a garota de máscara de coelho canta na música)

Mas embora eu vá comentar um pouco do Pink Fantasy, esse texto não é uma análise aprofundada do grupo (essa tarefa eu deixo para o Aquário Hipster), e sim o uso dele para uma reflexão sobre os underdogs. E o que é um underdog? Basicamente, é um termo dedicado para o perdedor esperado em uma competição, aquela pessoa (ou, neste caso, grupo) que você sabe que tem pouca ou nenhuma chance de vitória.

Como nós sabemos, não é comum torcer por quem não tem perspectiva de sucesso. Quantos de vocês torcem pra um time de futebol que está na terceira divisão (ou mesmo na segunda)? Quantos continuam fãs da diva pop flopada há três álbuns?

No entanto, essas figuras têm um grande apelo, especialmente na ficção, justamente pelo desafio de superar as expectativas, já que são muito maiores para elas, dando mais emoção à conquista. O underdog também pode gerar uma identificação com qualquer pessoa que se encontra em uma situação desfavorável, onde outros competidores contam com poderes e privilégios que eles não têm. Ou seja, basicamente todos nós.

O que nos traz ao Pink Fantasy. Quem tem alguma familiaridade com o K-Pop deve saber que existem as chamadas “Grandes 3” agências (SM, JYP, YG), cujos grupos já são lançados com garantia de sucesso. Existem os grupos de agências menores, mas com uma boa estrutura e algum alcance que pode crescer com um trabalho bem feito. Também existe a chamada “nugulândia”, onde quase sempre os recursos são escassos e o interesse do público e dos programas de TV, idem.

O vídeo lá no começo foi de “Playing House”, terceiro single do famoso (ou infame?) “girlgroup da garota da máscara de coelho”, da agência Mydoll Entertainment, e acho que não preciso comentar que não é exatamente o vídeo mais caro da história do K-Pop, preciso? Claro, elas têm outros vídeos com mais produção, mas apenas o recente “Shadow Play” parece ter recebido algum orçamento de peso. Até o projeto de debut no Japão foi… hã…

(aparentemente o aluguel da quadra de tênis consumiu todo o orçamento e não deu pra alugar também umas raquetes e bolas)

Esse é apenas um dos problemas facilmente associados com os chamados grupos nugu: some outros como as mudanças frequentes de formação (cada música teve uma formação diferente, com destaque para o debut onde uma integrante saiu antes do começo da divulgação e outra teve que ser colocada às pressas no lugar) e o estilo inconstante (ora sexy, ora sombrio, ora beirando o cômico), e não é difícil entender por que elas não são levadas a sério. O próprio conceito da integrante misteriosa da máscara de coelho, que a agência admite ter sido uma forma de diferenciar o Pink Fantasy em meio aos inúmeros grupos que surgem no K-Pop, acabou sendo uma faca de dois gumes, com parte do público decidindo que não dá pra levar elas a sério.

Isso é uma pena, porque por trás de todo o amadorismo na gestão, há pelo menos quatro vocalistas bastante acima da média, um conjunto de garotas empenhadas em dar o seu melhor, e uma verdadeira história de superação:

A CEO da Mydoll Entertainment tentou ser uma idol quando mais jovem, não teve sucesso, mas hoje tenta dar a outras garotas a oportunidade que ela não teve e isso fica claro na história do grupo: cada integrante do Pink Fantasy foi escolhida a dedo pela CEO, que encontrou nelas tanto grandes potenciais como as rejeições e oportunidades frustradas que elas enfrentaram. Várias já estavam prestes a abandonar o sonho de ser idol quando receberam o convite e agarraram com unhas e dentes (algumas infelizmente acabaram tendo que abandonar o sonho por motivos de saúde).

Isso acabou refletindo no trabalho delas: voltando ao vídeo de “Playing House”, no começo desse texto, o orçamento foi suficiente apenas para filmar as moças dançando numa quadra de esportes – mas vejam a animação delas, dançando, brincando, sem medo de parecer ridículas e perder algum contrato pra comercial de frango frito ou Tekpix. Essa é uma sensação de prazer pelo que se faz e, devo confessar, já não percebo em outros grupos de grandes agências, que parecem funcionar no modo automático (e não estou culpando eles, que podem estar assim pelo excesso de trabalho – mas isso já é assunto pra outra discussão).

Fãs de grupos grandes, por sinal, passam um bom tempo digladiando sobre quem tem o favorito com mais vitórias em music shows ou o disco mais vendido; para fãs de grupos como o Pink Fantasy, não faz diferença ter mais vitórias que o outro, porque qualquer vitória é digna de comemoração. Alguém aí se identifica? Porque eu me identifico.

Enfim, sim, eu até tentei disfarçar, mas esse é mais um texto meu sem falar coisa com coisa, aproveitando o espaço concedido pela Carla pra panfletar descaradamente o Pink Fantasy pra quem ainda não as conhecia direito, assim como devo panfletar vários outros grupos e cantores sempre que escrever aqui (#stanLOONA). Mas também é uma forma de pensar em como vemos e tratamos os underdogs, seja no entretenimento, seja na nossa sociedade. Não porque os favoritos não mereçam suas conquistas, mas para lembrar que talvez dar uma chance para quem não está no topo renda uma experiência altamente satisfatória e dê o ânimo de que essas pessoas precisam para surpreender a todos.

____

Por Fernando Saker, colaborador do Whatever Music Basement.

5 comentários em “Pink Fantasy e a torcida pelos underdogs

  1. Eu nunca tinha ouvido falar deste termo!! Tipo, pensando agora faz todo o sentido chamar underdogs, mas nunca pensei num termo que pudesse ampliar esta categoria…

    Lendo este texto é incrível pensar em como a gente torce né?? A felicidade que tenho quando vejo integrantes de grupos mais nugus darem certo, seja cantando, atuando, no youtube… Acho que rola esta questão de identificação mesmo, afinal, as chances de sermos alguém como, sei lá, a Sera do Nine Muses em nossas carreiras é bem mais provável que ser uma Taeyeon ou HyunA da vida… É legal também que mostra uma possibilidade diferente, né? Tipo, você não precisa seguir o caminho certinho da SM, vc pode estourar do seu jeito, nos seus termos (pode não ser de uma forma monstra, mas pelo menos, como você mesmo disse, mostra muito mais prazer e felicidade por fazer entretenimento)

    Dito tudo isso, eu fico super lisonjeado do meu post ter ajudado na inspiração deste xD De verdade 💖

    PS: Tarefa anotada da pauta do histórico delas 🤓

    1. Exato! A ânsia de ser o melhor é válida e pode ser produtiva, mas também pode levar a frustrações se não for bem dosada. A sociedade e as redes sociais tendem a vender um ideal de vida e de sucesso, quando na verdade você pode encontrar felicidade e senso de realização à sua maneira.

      E opa, legal saber que elas entraram na sua lista para o blog! Tenho certeza que vai render um texto bem legal, assim como foi o das Pocket Girls!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s