A volta do LOONA em outubro: especulações e expectativas (parte 2)

Dando continuidade às especulações e expectativas para o comeback do LOONA, no texto anterior discutimos um dos grandes atrativos do grupo: as tramas entrelaçadas que compõem o loonaverso. Mas o LOONA ainda é um grupo musical de K-Pop, e isso significa que, não importa a qualidade da história de fundo, a música é “aquilo” pelo que fãs e ouvintes casuais realmente esperam – e esse é um campo em que elas têm dividido opiniões nos últimos anos. Esta segunda parte busca discutir os acertos e erros nos lançamentos da BBC, e algumas sugestões para que esse comeback possa recuperar o interesse perdido por muitos.

Da ousadia à conformidade

O loonaverso foi apenas parte da estratégia extremamente ousada e arriscada para o lançamento do LOONA. O pré-debut do LOONA envolveu nada menos que dois anos e trouxe músicas e videoclipes solo para cada integrante. Cada nova garota era apresentada mês a mês (com alguns intervalos maiores em certos casos), o que criava o mistério sobre como seria cada uma delas.

Entre alguns solos e outros, houve ainda o lançamento de três subunidades (ou grupos menores), cada qual com um EP próprio e mais videoclipes. Assim, um comentário divertido que muitas pessoas faziam era que, antes mesmo de estrear, o LOONA já tinha uma discografia maior que muitos grupos veteranos (oi, Blackpink).

Mas quantidade vale menos que qualidade, certo? Nesse sentido, além do grande número de músicas, o projeto chamava atenção pela diversidade de estilos e pela produção caprichada de cada trabalho: num mês você poderia ouvir uma música que se encaixaria perfeitamente num momento fofinho e engraçado de um filme da Disney, enquanto noutro mês se surpreenderia com um R&B esbanjando sensualidade. Além disso, frequentemente vinha uma música bem diferente das tendências no K-Pop, e algumas que se transformavam em algo completamente diferente em certos momentos.

Ceroeja pegando todo mundo de surpresa com seu break

Quando finalmente o grupo apareceu com sua formação completa, a impressão foi que toda essa ousadia se perdeu. “Hi High” não é uma música ruim, mas seguia exatamente a sonoridade aegyo que muitos outros girlgroups já estavam fazendo no momento. O mesmo aconteceu recentemente com “So What”, pegando carona na onda do girlcrush. Desse modo, o LOONA passou de um grupo que confrontava tendências para um grupo que se conforma a elas.

Faz sentido que, depois de um processo perdido e da necessidade de ganhar dinheiro rápido para pagar suas custas, a BBC queira apostar no retorno seguro, o que inclusive deu certo com o EP mais recente do LOONA. Porém, para conseguir que elas realmente chamem atenção no mercado do K-Pop, será preciso sair da zona de conforto.

O fator chiclete

Recentemente a blogosfera tem feito suas listas de músicas superestimadas, e algumas delas me chamaram atenção:

Em comum, todas elas fizeram muito, mas muito sucesso. Não significa que nossos colegas tenham feito más escolhas; por exemplo, concordo que “Gangnam Style”, do Psy, realmente não é uma música de alta qualidade.

Por que elas fizeram sucesso, então? Simples: seja no K-Pop ou fora dele, mais importante que lançar uma música boa é lançar uma música que grude na cabeça das pessoas, como um chiclete. Um refrão bem ritmado e com letra estupidamente fácil de guardar na memória ajuda bastante nesse sentido, e isso é algo fácil de ver em qualquer lugar (detesto sertanejo universitário, mas já notaram como os refrãos deles são simples de memorizar?).

Esse é um ponto que o LOONA ainda não conseguiu alcançar, mesmo na fase pré-debut. Claro, falar é mais fácil do que fazer, e se fosse tão simples preparar uma música chiclete, qualquer pessoa que trabalhe com música já teria conseguido um sucesso. Mas seria interessante a BBC pelo menos tentar, porque um bom chiclete pode ser a chave para impulsionar uma carreira; taí o Momoland que não me deixa mentir (mesmo que a agência delas tenha desperdiçado o impulso com o tratamento abusivo que levou à saída de algumas integrantes – mas isso já é outro assunto).

Identidade

No K-Pop, o público costuma buscar certa coerência sonora dentro do repertório de um grupo: se um boygroup começa com seus idols posando de “oppas” maloqueiros, a expectativa é que continuem fazendo músicas de “oppas” maloqueiros; da mesma forma, um girlgroup aegyo deve continuar fazendo músicas aegyo – lembremos o boicote sofrido pelo GFRIEND simplesmente por trocarem os vestidinhos brancos por roupas “dark” de Paquitas.

No caso do LOONA, a proposta da BBC sempre foi de não prender elas a um estilo definido; como resultado, elas têm três singles que soam completamente diferentes entre si. E, a julgar por comentários das integrantes, esse comeback de outubro também será diferente do que elas já fizeram antes.

Pessoalmente, não acho que essa variedade de estilos seja um problema. Artistas pop ocidentais já provaram que é possível experimentar com novas sonoridades e novos visuais e ainda assim manter sua identidade artística; e essa identidade é algo que espero ver nesse comeback.

Uma parte interessante das músicas solo de cada integrante é que não só eram diferentes entre si, mas cada uma combinava perfeitamente com a personalidade e os principais talentos da garota que recebia aquela música. Assim, Kim Lip explora seu sex appeal em “Eclipse”, enquanto a espevitada Chuu esbanja sua insanidade energia e vocais poderosos em “Heart Attack”. A grande exceção veio com a baladinha insossa “Around You” para a caótica HyunJin (ainda pretendo fazer um artigo só dela, aliás), e bom, os Orbits já mostraram que bastava o remix certo para resolver tal problema.

Transformando o PIOR solo no MELHOR solo

E qual é a identidade do LOONA enquanto grupo? Fora as coreografias detalhistas que usam o grande número de integrantes a seu favor, basta ver qualquer vídeo com elas interagindo entre si pra perceber que elas são…

…UMA BAGUNÇA.

Isso é algo bom! Explorar essas interações caóticas, trazer esse senso de humor para as músicas e clipes pode ser muito interessante!

Vale lembrar que o Mamamoo se destacou entre outros grupos não só pelos vozeirões, mas também pelas piadas e improvisos que elas traziam em seus trabalhos, o que ajudou o público a se identificar com elas. Imagine o que as rainhas loonáticas da zoeira não conseguiriam?

A volta das subunidades?

Um último ponto também diz respeito ao número de integrantes: já li comentários de diferentes pessoas e em diferentes línguas se queixando de que o LOONA tem “gente demais”, o que deixa algumas integrantes “sobrando” na distribuição de versos (oi, ViVi) e dificulta que as pessoas reconheçam todas. Não seria melhor, então, tirar algumas delas?

Pessoalmente, acho que não. Embora 12 pessoas realmente sejam um número grande no K-Pop, sabemos que grupos de J-Pop frequentemente têm o dobro, triplo ou até dez vezes mais integrantes (oi, AKB48) – e, acreditem, eles não só fazem muito sucesso como até as idols mais avulsas neles têm sua parcela de fãs. De certa forma, considero que cada uma ali traz algo diferente (sim, a voz da Go Won pode ser cansativa num solo, mas num grupo ela dá um contraste bem-vindo).

Apesar disso, uma forma de tornar o LOONA mais “comercial” talvez envolvesse um espaço maior entre os lançamentos da formação completa, intercalado com lançamentos das três subunidades, tratando elas como grupos propriamente ditos e o LOONA como uma “unidade poderosa” (ainda pretendo fazer um artigo sobre este termo, porém não tão em breve).

Com isso, boa parte dos trabalhos contaria com uma formação mais “enxuta” sem precisar deixar algumas das idols desempregadas, o intervalo entre lançamentos seria mais próximo do que os Orbits estavam acostumados na fase pré-debut e as garotas, cuja subunidade não estivesse divulgando, poderiam até tirar algumas semanas de descanso.

O problema, claro, é que isso envolveria mais custos com a produção de músicas, videoclipes e ensaios fotográficos. Somando com o processo perdido da BBC, isso não deve acontecer tão cedo.

Enfim, concordam com algum ponto acima ou acham que só falei besteira? Digam nos comentários e, para não perder o hábito, stan LOONA!


Por Fernando Saker, colaborador do Whatever Music Basement.

5 comentários em “A volta do LOONA em outubro: especulações e expectativas (parte 2)

  1. 3 coisas

    1) Acho que o conceito da nova musica vai ser loja de roupa de tanta coisa que tão fazendo elas vestir kkkk
    2) Nossa siiiim, concordo com tudo, principalmente que uma “música piada” como bbom bbom ou oppa gangnam style funcionaria muito pra elas kkkk, mas é aquilo a bbc ver a faca e o queijo na mão e prefere jogar o queijo fora e enfiar a faca no… cofre de dinheiro dela
    3) Deja Vu não foi a música que fez sucesso por causa que as meninas caíram enquanto dançavam?

    1. Nem acho que precise ser uma música escrachada; algo com uma pitada de humor já estaria ótimo (tipo Heart Attack da Chuu, ou Yes I Am do Mamamoo).

      Sim, Me Gustas Tu do GFriend viralizou pelos tombaços delas num show feito a céu aberto num dia de chuva (o palco estava molhado) – mas o refrão da música também é megagrudento, então os tombos só serviram como uma “porta de entrada”.

      E infelizmente, parece que o EP delas já vazou, uma semana antes do lançamento… BBC continua zicada. Espero que isso não leve ao cancelamento de parte das pré-vendas, que começaram ontem e estavam indo bem até então.

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