[12:00], Why Not?; LOONA

Depois de dois textões especulando como poderia (e deveria) ser o comeback do LOONA, eis que o EP [12:00] já está entre nós, bem como o single e videoclipe “Why Not?”. Será que foi bom? Será que foi ruim? Bom, as minhas impressões podem ser lidas mais abaixo, mas antes, que tal ver o clipe e tirar suas próprias conclusões?

Depois que fiz os textões sobre possibilidades tanto para o andamento da trama do loonaverso como para o som que o grupo traria dessa vez, ainda tivemos mais motivos para incertezas, com a BBC divulgando ensaios fotográficos com conceitos bem diferentes. Isso, aliado ao fato dos produtores de “I Got A Boy” do Girls’ Generation estarem por trás de “Why Not?”, trazia o temor (ou a esperança, dependendo do seu gosto) de vir uma daquelas músicas que mudam radicalmente de estilo de um momento para outro.

Mas não foi o que tivemos aqui: “Why Not?” se manteve consistente na linha girlcrush de “So What”. Porém, enquanto “So What” seguia à risca a fórmula “minas fodonas”, “Why Not?” se permite experimentar em alguns momentos – vide o mini dueto de HeeJin e HyunJin após o primeiro refrão, ou a desacelerada momentânea e delicada precedendo o último refrão.

Mais que isso, “Why Not?” adotou uma nova tendência do K-Pop de 2020: as onomatopéias. Boa parte da música, você vai ouvir bastante “Dim-da, dam-di-dam-di-dam, dam-dam-di-dam” e “Ooh, là-là, auê, auê, auê”. Sim, eu sei que não é “auê, auê, auê” o que elas cantam, mas tenho o hábito de cantarolar certos versos de K-Pop como entendo – no final dos refrões de “Dun Dun” do Everglow, por exemplo, minha letra costuma ser “O meu nome é Bete, sou meio piriguete, you’re so dun-dun”. E isso torna “Why Not?” a primeira música da discografia do LOONA a ter um momento chiclete, que gruda na cabeça e não sai mais.

O videoclipe, por sua vez, mantém a alta qualidade da videografia do grupo, apesar de ser meio escuro. Muitas referências ao “lore” do loonaverso se fazem presentes: sim, temos maçãs, temos tênis all-stars, temos o “odd eye” da JinSoul; temos até figurantes com olhos de raio laser vermelhos, remetendo ao solo de Olivia Hye. Alguns desses elementos são meros easter eggs, enquanto outros parecem manter a continuidade do loonaverso (como os pedaços da lua continuando a cair na Terra depois dela ter pegado fogo no clipe anterior – o que é curioso, já que as garotas também aparecem dançando na lua); e as três “luas” que cercam Kim Lip depois aparecem como doze, uma forma carinhosa de mostrar que a HaSeul ainda é parte do grupo, mesmo ausente.

Mas afinal, a música é boa ou não?

Ontem, eu tinha uma resposta pronta para essa pergunta, mas depois de ouvir mais vezes, minha opinião mudou consideravelmente. Então vamos lá: no geral, sim – mas o nível de aproveitamento vai depender do que você espera.

Parece confuso? Tentarei explicar melhor: “Why Not?” para mim é uma excelente música de girlgroup de K-Pop em 2020. É o tipo de música que seria altamente elogiada no repertório do (G)I-DLE, do Everglow, ITZY e, caramba, se essa música estivesse no “O Álbum” das BlackPink, esse álbum teria sido muito melhor. Mas algo que o LOONA prometia no seu projeto pré-debut era quebrar expectativas, ir contra a maré – nesse sentido, “Why Not?” decepciona, pois como indicado, é uma música que poderia tranquilamente ter sido lançada por outro grupo. Faltou a ousadia que foi tão bem explorada nos solos e subunidades; isso é algo que o Dougie aborda muito bem no artigo dele, e recomendo a leitura.

Nesse sentido, a B-side “Voice” parece muito mais apropriada para o LOONA: tem uma identidade própria, a sonoridade “retrô” remete a faixas do pré-debut (conversa muito bem com as músicas solo de ViVi e Yves), e em termos de qualidade eu diria que ela está bastante acima de “Why Not?”. Mas aí entra a questão: ela teria o mesmo apelo comercial? O pré-debut do LOONA foi um verdadeiro sonho, onde a criatividade e a arte guiavam cada lançamento; infelizmente, chega um momento em que é necessário acordar do sonho e colocar os pés no chão, de preferência sem abandonar o sonho, mas tendo um ponto de segurança. Nesse sentido, a julgar pelos números do EP, a BBC parece ter tomado a decisão certa.

Sendo sincero, o single cresceu bastante comigo de um dia para o outro. Ainda não acho a melhor faixa do EP, mas é bastante gostosa de escutar. Para mim, já está ótimo.

[12:00]

O resto do EP curiosamente parece uma viagem no tempo, simultaneamente caótica e divertida. A contagem na introdução já parece dar um indício disso, embora provavelmente seja só coincidência.

Falando mais um pouco de “Voice”, é uma faixa que grita anos 1980, que eu consigo facilmente imaginar tocando num daqueles filmes velhos na Sessão da Tarde. Deliciosa do começo ao fim. A faixa seguinte, “Fall Again”, é uma escolha ousada: uma balada na primeira metade do disco (normalmente a BBC coloca as baladas no final). Mas ela funciona bem, com uma sonoridade R&B bem próxima do começo dos anos 1990, estilo Janet Jackson em 93 – e o momento perto do final em que o instrumental é subitamente substituído por um violão acústico é uma surpresa bastante agradável.

“Universe” também me remete aos anos 1990, talvez especificamente à metade daquela década (que às vezes parece tão recente, mas teve início há TRINTA ANOS), sem se prender a um estilo específico – ora ela me lembra do Savage Garden, ora me parece que caberia no terceiro álbum pop que as Spice Girls pretendiam lançar antes da saída da Ginger e do hiato para carreiras solo que mudaram todos os planos.

Dos anos 1990, “Hide & Seek” já é um pulo para o começo da década de 2010 (parece que foi ontem, né?), um farofão EDM com raps estilo David Guetta e Nicki Minaj. A última inédita, “OOPS!”, nos traz de volta aos dias atuais, parecendo uma mistura de (G)I-DLE com KARD. E não é que ficou muito bom?

Mas [12:00] traz uma última surpresa: “Star”, a versão em inglês (com pronúncias surpreendentemente boas) de “Voice”. Um indício de que também há planos de lançar essa música como single, voltado para o mercado internacional? Seria um sonho – e, apesar do meu comentário anterior sobre ter os pés no chão, de vez em quando sonhar não custa nada, certo?


Por Fernando Saker, colaborador do Whatever Music Basement.

16 comentários em “[12:00], Why Not?; LOONA

  1. Acho incrível que você conseguiu identificar referências e sonoridades nas faixas mais atmosféricas do EP… Eu nunca consigo identificar e descrever as melodias direito kkk

    Seria um sonho se Voice tivesse uma promoção em inglês… Eles já fizeram isso com Loonatic lááá atrás… Vai quê? xD

    1. Ser velho tem suas vantagens! Mas pra ser sincero, eu nem sei se minhas referências estão certas; se o Bruno ainda estivesse ativo na blogosfera, é capaz que ele apontasse vários erros nelas…

      Sobre Star (a.k.a. Voice), depois que a Go Won falou numa entrevista do LOONA (acho que foi pra Forbes, embora não faça nenhum sentido a Forbes entrevistar um grupo de k-pop) que o sonho delas é entrar na Billboard, os orbits começaram a fazer uma campanha pra tentar fazer o EP delas entrar no Top 200 Albums da Billboard, na esperança de que isso renderia o lançamento oficial de Star como single. O que é uma dupla ilusão (primeiro em achar que elas têm chance de entrar no Top 200, segundo em achar que isso vai fazer elas lançarem esse single mesmo elas nunca tendo prometido isso), mas vai que cola, né…

      1. Será?? kkk Eu ficava maravilhado com as referências do Bruno quando lia o blog dele, mas conhecia bem menos de música como conheço hoje… Não sei dizer…

        Acho incrível que um único comentário isolado da GoWon foi capaz de mobilizar tanto assim kkkk Espero que cole, nem que seja com um clipe com os bastidores de Why Not

          1. Carlaa, eu não conhecia seu blog ainda durante o “auge do Loonaverso” @.@’… N sei se o tweet q eu vi hoje tem a ver com isso (posso estar relacionando duas coisas nada a ver), mas eu aprendi bastante de música MSMO lendo os seus posts (os do Bruno eram um pouco confusos neste aspecto, tipo bridge/ponte eu só descobri REALMENTE o que era depois de um post apocaliptico seu sobre partes de músicas)… Enfim, se me expressei mal, desculpaa 🙏🏻🙏🏽 (sempre morro de receio de ser mal interpretado internet a fora x.x’)

          2. Como o Arthur comentou, suas explicações são de longe as melhores de toda a blogosfera! Desculpe, eu deveria ter explicado isso melhor no meu comentário anterior: eu mencionei o Bruno por ele ser alguém “de fora” (se você tivesse lido alguma idiotice musical que eu escrevi, sei que teria corrigido antes de publicar ou daria um puxão de orelha aqui nos comentários), mas em termos de conhecimentos de estilos, estruturas, notas e afins, o Whatever Music (antes e depois do Basement) sempre foi imbatível!

            Não à toa, o Wendell já apontou no blog dele que você sempre traz as análises mais “cabeça” (no bom sentido) e mais embasadas, quando definiu cada membro da blogosfera de pop asiático.

          3. Na verdade, são coisas que ouço/leio há anos (um “colega” já me mandou calar a boca, pois eu, segundo ele, não sabia de porra nenhuma). Enfim, queria fazer aquele tuite já fazia um tempo.

            Tá tudo bem ❤

        1. Pessoalmente, acho que seria mais sensato da parte dos orbits panfletarem Star pros produtores de Stranger Things, pra ver se eles não se interessariam em colocar na trilha sonora da quarta temporada (é capaz da BBC até pagar pra eles, ou ceder a ViVi de graça pra interpretar uma figurante pro Demogorgon matar). Mas enfim…

          *imaginando a Eleven indo salvar o Jim na Rússia ao som de Star*

          1. É que a história de Stranger Things se passa na década de 1980 (inclusive com trilha sonora baseada nessa época), então Voice/Star casaria perfeitamente.

            E é uma série MUITO popular, então seria uma excelente porta de entrada pro grupo conquistar novos ouvintes.

        2. …e não é que parece que elas CONSEGUIRAM?? Não sei se a informação é confiável (só teremos como descobrir depois de amanhã), mas estão falando que o [12:00] conseguiu entrar na parada de álbuns da Billboard desta semana, em #112 (o que é surpreendente pra um álbum que sequer foi lançado oficialmente nos EUA ou teve divulgação por lá).

          Sei que esse EP já passou duas semanas na parada de álbuns da Rolling Stone, mas ela não tem nem de longe o mesmo peso da Billboard. Se elas tiverem mesmo conseguido entrar lá, mesmo sendo em #112, é um feito e tanto.

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